BPC-LOASNotícias

Diagnóstico de autismo em adultos e idosos avança e impacta a assistência social

Idoso com cordão de autismo em frente a unidade do CRAS após lei que incentiva diagnóstico em adultos e idosos

Durante anos, o autismo foi tratado como um tema restrito à infância. Quem não recebeu diagnóstico cedo acabou invisível para o sistema público, convivendo com dificuldades sem nome, sem apoio adequado e, muitas vezes, sem acesso a direitos básicos.
Esse cenário começa a mudar.

Em novembro de 2025, foi sancionada a Lei nº 15.256/2025, que inclui nas diretrizes nacionais o incentivo ao diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) em adultos e idosos. A medida amplia o olhar do Estado e traz reflexos diretos para áreas como saúde pública, assistência social e políticas de proteção social, incluindo a atuação dos CRAS.


O que diz a nova lei e por que ela é importante

A nova legislação altera a Lei nº 12.764/2012, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TEA, para deixar claro que o diagnóstico não deve se limitar à infância.

Na prática, isso significa que o poder público passa a reconhecer oficialmente que:

  • pessoas adultas e idosas também podem estar no espectro;
  • o diagnóstico tardio existe e precisa ser considerado;
  • políticas públicas devem se adaptar a essa realidade.

A sanção foi divulgada pelo Senado Federal e reforça uma demanda antiga de especialistas, famílias e movimentos sociais.


A relação direta com o CRAS e a assistência social

No contexto do CRAS, essa mudança é especialmente relevante.

Muitos adultos e idosos atendidos pela assistência social:

  • enfrentam dificuldades de socialização e comunicação;
  • apresentam histórico de exclusão no mercado de trabalho;
  • dependem de benefícios sociais para sobreviver;
  • convivem com sofrimento emocional sem diagnóstico claro.

Com a ampliação do olhar sobre o TEA, o CRAS passa a ter um papel ainda mais estratégico, seja na escuta qualificada, na orientação sobre direitos, ou no encaminhamento para a rede de saúde.

O diagnóstico pode ajudar a explicar trajetórias marcadas por:

  • desemprego recorrente;
  • dificuldades de adaptação social;
  • isolamento;
  • dependência prolongada de familiares ou políticas públicas.

Diagnóstico tardio pode abrir caminho para direitos

Embora a lei não crie benefícios automaticamente, o reconhecimento do TEA na vida adulta pode facilitar o acesso a políticas já existentes.

Dependendo do caso, a pessoa diagnosticada pode:

  • ser encaminhada para acompanhamento pelo SUS;
  • receber apoio da rede de saúde mental;
  • ser orientada sobre avaliação social para benefícios assistenciais;
  • ter o caso analisado para o BPC/LOAS, quando houver impedimentos de longo prazo.

O próprio Ministério da Saúde reconhece que o cuidado à pessoa com TEA deve considerar impactos funcionais e necessidades de suporte, independentemente da idade.


Autismo não surge na fase adulta — ele apenas não foi identificado

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o TEA se manifesta desde a infância, mas pode passar despercebido por décadas, especialmente quando a pessoa desenvolve estratégias para se adaptar socialmente.

Isso é comum entre:

  • mulheres;
  • pessoas de baixa renda;
  • idosos que cresceram em épocas com pouco acesso à informação;
  • indivíduos que receberam diagnósticos equivocados ao longo da vida.

A nova lei ajuda a romper esse ciclo de invisibilidade.


Como buscar avaliação pelo SUS com apoio do CRAS

Para quem desconfia de TEA na vida adulta ou na velhice, o caminho inicial geralmente envolve:

  1. Unidade Básica de Saúde (UBS)
    Onde a pessoa pode relatar suas dificuldades e solicitar avaliação.
  2. Encaminhamento para serviços especializados
    Conforme disponibilidade da rede municipal ou estadual.
  3. Apoio do CRAS
    O CRAS pode orientar sobre direitos, registrar a situação no acompanhamento familiar e auxiliar nos encaminhamentos necessários.

O diagnóstico é sempre clínico e deve ser feito por profissionais habilitados. O CRAS não diagnostica, mas ajuda a viabilizar o acesso.


Um avanço que fortalece a proteção social

Ao incentivar o diagnóstico de autismo em adultos e idosos, o Brasil dá um passo importante para tornar suas políticas mais justas e inclusivas. Para o público atendido pelo CRAS, isso significa mais reconhecimento, menos invisibilidade e mais chances de acesso a cuidados e direitos.

É uma mudança que não resolve tudo, mas amplia possibilidades — especialmente para quem passou a vida inteira sem saber por que sempre precisou lutar mais para simplesmente existir.


🔎 Referências

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

WhatsApp