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Oficina de “bebê realista” no CRAS promove protagonismo feminino, autoestima e possibilidades de renda

Mulheres do CRAS Ribeirinho confeccionando bebês realistas em uma oficina artesanal, com bonecas e materiais espalhados sobre a mesa.

Na tarde de domingo, 16 de novembro de 2025, o CRAS Ribeirinho, sob coordenação da Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social de Santarém (Semtras), realizou a “Oficina de Bebê Realista” voltada para mulheres atendidas no território ribeirinho. Mais do que uma capacitação técnica em artesanato, a atividade funcionou como ferramenta de acolhimento, resgate de memórias e estímulo ao empreendedorismo cultural.

Técnica e afeto: a proposta da oficina

A oficina ensinou a técnica de confecção de bonecos do tipo bébé reborn — conhecidos como “bebês realistas” — e foi ministrada pela artesã e produtora cultural Carla Naiana. Ao longo da atividade, além do aprendizado manual, as participantes receberam orientações sobre acabamento das peças e possibilidades de comercialização. A ação fez parte das atividades do PAIF (Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família), cujo objetivo é fortalecer vínculos familiares e promover a autonomia das mulheres atendidas.

Impacto humano e relatos

A coordenadora do CRAS Ribeirinho, Maria Fabianny, descreveu a oficina como um momento de “aprendizado, cuidado e pertencimento” para as mulheres envolvidas. Para muitas participantes, a produção das bonecas ativou lembranças afetivas e ofereceu espaço para partilha de memórias; para outras, abriu a perspectiva de transformar um talento manual em fonte de renda.

Uma das participantes, Ana Lúcia dos Santos Lopes, acompanhada pelo Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), definiu a experiência como “terapia emocional”: ao montar a bonequinha, disse, recordou os filhos quando eram bebês e experimentou alegria e conforto.

Cultura, identidade e empreendedorismo

A secretária municipal responsável pelas políticas de assistência social reforçou que iniciativas do tipo alinham cultura e geração de trabalho, estimulando autoestima e visibilidade para saberes locais. Em localidades ribeirinhas, onde o acesso a qualificações formais e oportunidades de emprego costuma ser mais restrito, o artesanato cultural se apresenta como alternativa viável para a diversificação da renda familiar e para a valorização de tradições.

A articulação entre arte e empreendedorismo — quando bem orientada — permite não só a criação de produtos, mas também o fortalecimento de uma identidade cultural que pode agregar valor simbólico e comercial às peças.

Oportunidades e desafios para ampliar o impacto

Para que a oficina deixe efeitos duradouros e de fato contribua para autonomia econômica, alguns pontos são determinantes:

  • Encadeamento produtivo: é preciso criar canais de comercialização (feiras locais, plataformas online, parcerias com pontos de cultura e turismo) e oferecer suporte logístico para a venda e entrega dos produtos.
  • Formação complementar: capacitações em precificação, fotografia de produto, marketing digital e formalização (MEI, notas fiscais, tributação) são necessárias para profissionalizar a atividade artesanal.
  • Sustentabilidade e escala: transformar o artesanato em fonte consistente de renda depende de qualidade, inovação e acesso a mercados que valorizem o trabalho manual.
  • Monitoramento e avaliação: acompanhar quem, de fato, converte a participação em renda, quantas mulheres mantêm a atividade e como isso afeta sua autoestima e qualidade de vida em médio prazo.
  • Fortalecimento de redes: a criação de coletivos ou cooperativas pode facilitar compras de insumos em escala, reduzir custos e ampliar o alcance comercial.

Relevância para as políticas públicas de assistência social

A oficina evidencia a eficácia de intervenções socioassistenciais que combinam técnica e dimensão afetiva. Ao considerar as mulheres como agentes criativos e produtivos, ações como essa contribuem para a promoção do protagonismo feminino — um eixo prioritário nas políticas de assistência social — e reforçam a importância de programas que considerem as especificidades territoriais, especialmente em áreas ribeirinhas.

A Oficina de Bebê Realista realizada pelo CRAS Ribeirinho de Santarém demonstra como iniciativas culturais, quando articuladas com a assistência social, podem extrapolar o aprendizado técnico e atuar como vetor de inclusão social, autoestima e possibilidades de geração de renda. Para transformar o potencial identificado em resultados concretos e sustentáveis, é necessário, contudo, que a ação seja articulada a estratégias de comercialização, formação continuada e acompanhamento das participantes.


Referências

PREFEITURA MUNICIPAL DE SANTARÉM. CRAS Ribeirinho realiza oficina de Bebê Realista neste domingo (16). Santarém: Prefeitura Municipal de Santarém, 14 nov. 2025. Disponível em: https://santarem.pa.gov.br/pautas/assistencia-social/cras-ribeirinho-realiza-neste-domingo-oficina-de-bebe-realista-e-fortalece-empreendedorismo-cultural-entre-mulheres-da-comunidade-w1lnoi?portal=institutional. Acesso em: 18 nov. 2025.

PREFEITURA MUNICIPAL DE SANTARÉM. Oficina de Bebê Realista fortalece autoestima e vínculos de mulheres atendidas pelo CRAS Ribeirinho. Santarém: Prefeitura Municipal de Santarém, 17 nov. 2025. Disponível em: https://santarem.pa.gov.br/noticias/assistencia-social/cras-ribeirinho-realiza-oficina-de-bebe-realista-e-fortalece-empreendedorismo-cultural-entre-mulheres-do-paif-aovelx. Acesso em: 18 nov. 2025.

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