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CRAS realiza palestra e mobiliza estudantes no combate ao racismo

Palestrante do CRAS conversa com estudantes em sala de aula durante atividade sobre combate ao racismo.

Na última semana, o Centro de Referência de Assistência Social – CRAS, em parceria com a Escola Estadual Cassiano Ricardo, realizou uma palestra dedicada ao combate ao racismo e à valorização da consciência negra. O evento, realizado no município de Campo Novo de Rondônia, representa uma das iniciativas estratégicas que a rede de assistência social vem adotando para enfrentar as desigualdades étnico-raciais nas escolas e comunidades locais.

O encontro trouxe à tona questões fundamentais sobre como o racismo se manifesta no cotidiano escolar: nas brincadeiras, nas falas, no acesso a oportunidades e, sobretudo, na invisibilização das contribuições da população negra para a história do país. Ao propiciar este tipo de diálogo, o CRAS se coloca como agente de transformação, atuando não apenas como prestador de serviços, mas como provocador de mudanças culturais.


Por que essa ação é tão relevante

Especialistas em assistência social e direitos humanos destacam que o racismo não é apenas uma coletânea de atos individuais, mas se expressa também como fenômeno estrutural ou institucional. Conforme documento do Conselho Federal de Serviço Social, “o racismo se manifesta de diferentes formas, desde atitudes no âmbito das relações individuais, a relações estruturais e institucionalizadas”.

Isso significa que ações de conscientização em escolas e serviços de assistência social são importantes porque abordam a raiz do problema: tanto a discriminação cotidiana quanto os processos que mantêm desigualdades raciais persistentes. Em outras palavras, falar sobre racismo com estudantes e usuários da assistência social é promover empoderamento, mudança de atitude e, potencialmente, transformação institucional.

Além disso, o estado brasileiro possui instrumentos legais que reforçam a necessidade de educação antirracista — por exemplo, a Lei 10.639/2003 tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas de ensino fundamental e médio. A integração desse conteúdo nos níveis de ensino contribui para superar o apagamento histórico e dar visibilidade à cultura afro-brasileira.


O que se fez e o que se pode aprender

Durante a palestra na Escola Cassiano Ricardo, foram mobilizados alunos e profissionais da rede de assistência social para refletir sobre temas como discriminação, identidade, pertencimento e protagonismo negro. Essa iniciativa conjuga educação formal (na escola) com o campo da assistência social (via CRAS), gerando uma articulação que amplifica o impacto e cria um ambiente mais favorável à mudança.

Para replicar ou aprimorar essa prática, vale considerar alguns pontos-chave:

  • Dialogar com linguagem acessível: abordagens que conectam história, vivência cotidiana e reflexão estimulam a aproximação dos estudantes e participantes com os temas.
  • Incorporar a cultura afro-brasileira: valorizar elementos culturais, históricos e simbólicos da população negra torna a experiência mais significativa e fortalece a autoestima dos participantes.
  • Articular múltiplos atores: quando escola, assistência social e comunidade trabalham juntos, a ação ganha densidade e melhores resultados.
  • Envolver os jovens: ao dar voz a estudantes e permitir que relatem vivências, a atividade deixa de ser expositiva e torna-se participativa, fomentando o protagonismo.
  • Planejar o seguimento: uma palestra é um ponto de partida; o desafio maior está em como incorporar o tema de forma continuada na rotina escolar e nos serviços sociais.

Impactos esperados e desafios

Com iniciativas como essa, espera-se que emergam mudanças concretas: maior consciência dos estudantes e profissionais sobre o racismo, mais empatia entre pares, ações de combate à discriminação dentro da escola e no CRAS, e o fortalecimento de políticas locais que promovam equidade.

Entretanto, os desafios permanecem. A transformação cultural exige constância, investimento em formação, e enfrentamento de resistências — sejam silenciosas ou explícitas. Como a literatura aponta, o racismo institucional estrutura-se em práticas cotidianas que se naturalizaram, o que torna mais difícil identificá-lo e desconstruí-lo. Além disso, a efetividade de políticas antirracistas depende de atribuição de recursos, capacitação de equipe e monitoramento de resultados.


A palestra promovida pelo CRAS na Escola Cassiano Ricardo representa uma ação significativa na promoção da equidade racial e na construção de uma cultura de valorização da diversidade. Ela demonstra que espaços escolares e de assistência social podem e devem ser ambientes de debate crítico e transformação social. Ao trazer reflexões acerca do racismo, não apenas como tema abstrato, mas como realidade a ser enfrentada, essa iniciativa contribui para que futuras gerações cresçam com outra consciência — mais inclusiva, ativa e comprometida com a justiça social.

Para que o impacto persista, é fundamental que essa reflexão prossiga além da palestra: integrando-se ao projeto pedagógico da escola, às práticas do CRAS e ao cotidiano da comunidade. Assim, estaremos caminhando com mais firmeza rumo a uma sociedade em que raça, cor ou origem não determinem destino ou oportunidade.


Referências

Brasil. Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional para tornar obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas.
Conselho Federal de Serviço Social. “Racismo: abordagem e intervenção no Serviço Social”. 2015.
Prefeitura de Campo Novo de Rondônia. “CRAS realiza palestra sobre combate ao racismo e Consciência Negra na Escola Cassiano Ricardo”. Disponível em: https://camponovo.ro.gov.br/cras-realiza-palestra-sobre-combate-ao-racismo-e-consciencia-negra-na-escola-cassiano-ricardo/. Acesso em …
Prefeitura de Vitória. “Mês da Consciência Negra é celebrado com música, palestra e seminário”. 22 outubro 2025.
Prefeitura de Sorriso. “O tema Consciência Negra pauta série de atividades na Semas”. 10 novembro 2025.

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